Já não bastasse eu ter que arcar com todas as despesas do carro, by myself, ainda surge essa.
Férias. Faziam exatamente 21 meses de trabalho direto. Tive a oportunidade de viajar no ano passado à trabalho. Sabe que viajar a trabalho não é a melhor coisa do mundo. Trabalha-se mais do que se estivesse no escritório matriz. Enfim.
Relembrando o acidente de 14 de agosto de 2015, um homem quase morreu quando acertou o meu carro, que fazia mais ou menos um mês de uso, enquanto dirigia para Caraguatatuba. Sorte dele que estava de mochila nas costas e devidamente vestido para pilotar uma moto.
Peguei o seu contato, mas não cheguei a ligar.
O engraçado é que o dia estava chamando algo ruim. Eu pressentia. Não sei porque mas por todo o caminho meu coração batia forte. Será que foi o stress?! Talvez.
Estava a ponto de pirar antes das minhas férias pela quantidade de trabalho e responsabilidade que assumi (juntamente com a promoção que não ganhei). Um projeto só meu em que devo liderar 4 pessoas. Dias e dias sem comer e eu, na contagem regressiva para largar tudo por 15 dias. Desfiz até algumas amizades no trabalho. Fui até para o hospital com os nervos à flor da pele. Naquele dia não estava conseguindo nem respirar direito. O diagnóstico? Stress.
"Slow down a bit, boy".
"Fuck you. I gotta work".
A quantidade de cigarros diário dobrou, o álcool me consumindo de uma forma festeira de todos os dias, a balança subindo e por aí vai.
Calma, Nicola, só faltam duas semanas para as suas férias.
Troquei o meu lindo carro, já arrumado, com o carro da minha mãe numa bela quarta-feira de sol, ao som de pop music.
"Caralho, que freiada da porra". Segundos depois me engavetam na 9 de julho.
Distração do motorista que bateu em mim. "Cadê meu óculos?".
O motorista da frente nem se importou. Desceu do carro e olhou para minha cara, viu a traseira do carro dele e foi embora, sem nem dizer um "oi".
Tudo bem. Vá pela sombra.
Já o de trás não sabia se cobria o rosto de vergonha, ou se pedia mais desculpas a mais do que já estava pedindo...
Resultado: o Fox com a lanterna traseira quebrada. Mas ôooo macumba que tá dando certo einh. Toma no c*.
Pelo menos uma felicidade. Show da Kate Perry em São Paulo. Um dos momentos mais lindos de toda a minha vivência.
Chegou o grande dia. Féeeeeeeeeeeerias.
Viagem marcada, mochilão feito, passagem aérea na mão e bora lá.
Cheguei em Florianópolis na terça-feira, umas 14 horas conversando com a amiga professora que fiz no avião. Pegamos táxi juntos e, ela super solicita, me passa o seu número de telefone para qualquer coisa que eu precisasse durante a minha estadia na ilha.
Uma fofa.
Dei um rolê pelo centro da cidade e logo depois fui pro hostel roots que tinha reservado na praia da Barra da Lagoa.
Consegui dar uns pegas na ponta que levei, no hostel mesmo. Legalizado.
Fiquei esse tempo no hostel tomando uns drinks e conversando com um dinamarquês e uma alemã (sempre conheço alemãs, não sei porque).
Durante a noite dei mais uns pegas e começo a conversar com minha mãe, via mensagem, que me diz que chegou uma intimação para prestar depoimento na delegacia da minha cidade. Na sexta-feira.
Meu cú fechou na hora.
"Mas por quê?".
Tinha entendido que o caso já tinha sido encerrado. Porra, o cara não morreu. Eu fui a vítima. Ele a vítima/autor.
Tentei ligar, na quarta-feira, desesperadamente para a delegacia para tentar remarcar o dia de prestar depoimento. Sem sucesso.
A raiva tomou conta de mim que teve que pegar um ônibus às 19 horas do mesmo dia para chegar na cidade às 9 horas do dia seguinte. Férias por água abaixo. Várias Dilmas jogadas no rio e foram levadas pela correnteza. Hoje não tá fácil pra ninguém.
Prestei depoimento. Deu tudo certo. Só as minhas férias que não.
Agora o dinheiro que sobrou já está contado para as contas deste mês.
Urucubaca. Só pode ser.
O tempo que eu ia ter para mim foi perdido. Tudo foi perdido.
Descansar? Que nada. A raiva já tomou conta de mim. Não tem como.
O que me resta é me enfiar dentro de uma bolha para ver se não acontece mais nada nesse ano. Só assim pra eu conseguir dar os meus passos.
Só no aguardo aqui do processo que vou levar por conta desse motoqueiro filho da puta que destruiu toda a minha paz. Se é que eu estava em paz né.
Puta merda! que fase eim?
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